Uma discussão histórica do Litoral Norte catarinense voltou à pauta com o avanço dos projetos ligados à duplicação da BR-280. O Canal do Linguado, fechado há cerca de 90 anos para permitir a ligação terrestre entre a Ilha de São Francisco do Sul e o continente, poderá voltar a ter passagem de água em parte da estrutura atual.
O tema integra os estudos do DNIT para os trechos remanescentes da duplicação da rodovia e envolve uma proposta que mistura mobilidade, infraestrutura e recuperação ambiental da Baía Babitonga.
Projeto prevê abertura parcial do canal e nova ponte.
A solução estudada prevê a abertura de um vão de aproximadamente 100 metros no aterro construído sobre o canal, além da implantação de uma nova ponte com espaço para navegação.
Segundo os estudos técnicos, a medida busca melhorar a circulação das águas entre diferentes pontos da baía, reduzindo impactos ambientais acumulados ao longo das últimas décadas. A proposta segue recomendações baseadas em levantamentos realizados por especialistas e instituições de pesquisa da região.
Fechamento aconteceu na primeira metade do século passado
O Canal do Linguado começou a ser aterrado no início do século XX, inicialmente para permitir a passagem ferroviária em direção ao Porto de São Francisco do Sul. Na década de 1930, a estrutura foi completamente fechada para consolidar a ligação rodoviária que hoje integra a BR-280.
Com o fechamento definitivo, São Francisco do Sul deixou de ser uma ilha isolada por água e passou a ter conexão terrestre permanente com o continente. Ao longo do tempo, pesquisadores e ambientalistas apontaram alterações na dinâmica da Baía Babitonga, como mudanças na circulação da água, sedimentação e impactos ambientais em áreas próximas.
Duplicação da BR-280 segue em etapas
A região do Canal do Linguado faz parte dos trechos remanescentes da duplicação da BR-280. O projeto original da rodovia, elaborado há mais de uma década, precisou passar por revisões técnicas e ambientais antes do avanço das obras.
Além da travessia sobre o canal, o planejamento envolve outros pontos estratégicos no Norte catarinense, incluindo acessos urbanos e novos contornos viários.
A expectativa é que as próximas etapas avancem gradualmente conforme atualização técnica, licenciamento e futura licitação das obras.







