O crescimento da cabotagem no Porto Itapoá vem mudando não apenas a logística no Sul do país, mas também trazendo reflexos ambientais importantes para o setor de transporte.
Nos últimos meses, o terminal consolidou sua posição como líder na movimentação de contêineres por cabotagem na região Sul, modalidade que utiliza a navegação entre portos do próprio país para transporte de cargas.
Na prática, isso significa menos dependência do transporte rodoviário em longas distâncias e uma redução significativa na circulação de caminhões em determinadas rotas logísticas.
Segundo dados divulgados pelo terminal, a operação de cabotagem no Porto Itapoá movimentou aproximadamente 298 mil TEUs ao longo de 2025 — unidade utilizada para medir contêineres no setor portuário. O volume representa crescimento de 32% em comparação ao ano anterior.
Além do avanço operacional, o modelo também vem sendo apontado como alternativa mais sustentável para o transporte de cargas. Estimativas baseadas em estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a cabotagem emite menos gases de efeito estufa do que o modal rodoviário em trajetos de longa distância.
De acordo com os números apresentados pelo Porto Itapoá, a utilização da navegação costeira ajudou a evitar a emissão de cerca de 259 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) em comparação ao transporte realizado exclusivamente por caminhões.
Menos caminhões e mais eficiência logística
O crescimento da cabotagem também tem impacto direto na dinâmica das estradas. Conforme dados do setor, um único navio pode transportar o equivalente a centenas de caminhões em apenas uma viagem.
Além da questão ambiental, o modelo é visto pelo mercado como alternativa para reduzir custos logísticos, aumentar previsibilidade operacional e desafogar corredores rodoviários importantes do país.
A expansão segue em ritmo acelerado também em 2026. Somente no primeiro bimestre deste ano, o Porto Itapoá já registrou crescimento na movimentação de cargas por cabotagem em relação ao mesmo período do ano passado.
Modal ganha espaço no litoral brasileiro
Especialistas do setor apontam que o Brasil ainda possui grande potencial de expansão da cabotagem, especialmente por conta da extensa faixa litorânea e da concentração industrial próxima da costa.
Nos últimos anos, o tema ganhou força dentro das discussões sobre infraestrutura, competitividade logística e redução das emissões de gases poluentes no transporte de cargas.
Para cidades portuárias como Itapoá, o avanço desse tipo de operação também reforça o papel estratégico da região dentro da economia nacional







