Terminal privado de R$ 3 bilhões poderá movimentar grãos, fertilizantes, combustíveis líquidos e GLP; obras seguem previstas para 2027.
Itapoá deu mais um passo importante para ampliar sua estrutura portuária. O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) concedeu a Licença Ambiental Prévia (LAP) para o projeto do Terminal de Uso Privado (TUP) da Coamo Agroindustrial Cooperativa, previsto para o bairro Bahamas I, em Itapoá.
A licença representa um avanço significativo no processo de implantação do empreendimento, que tem investimento estimado em R$ 3 bilhões e pretende criar uma nova estrutura portuária voltada principalmente ao atendimento da cadeia do agronegócio.
O projeto prevê a movimentação de granéis sólidos vegetais, fertilizantes, combustíveis líquidos e GLP (gás liquefeito de petróleo).
A capacidade estimada para o terminal chega a 10,9 milhões de toneladas por ano quando estiver em plena operação.
Um novo terminal para Itapoá
A proposta da Coamo prevê uma estrutura multipropósito, permitindo operações de exportação e importação.
A principal vocação será o escoamento de grãos, especialmente a produção agrícola ligada à cooperativa. No sentido inverso, o terminal deverá receber fertilizantes utilizados no agronegócio, além de combustíveis líquidos e GLP.
O projeto também prevê sistemas fechados para o transporte e movimentação dos granéis, com equipamentos destinados ao controle da emissão de particulados.
Entre as medidas ambientais apresentadas está ainda a implantação de uma barreira vegetal no entorno do empreendimento.
Licença prévia não significa início das obras
Apesar de representar um importante avanço, a concessão da Licença Ambiental Prévia não significa que as obras estejam autorizadas a começar imediatamente.
A LAP é uma etapa do processo de licenciamento ambiental e estabelece a viabilidade ambiental do empreendimento nessa fase de planejamento, além de condicionantes que deverão ser observadas nas etapas seguintes.
Para a implantação física do terminal, ainda serão necessárias as autorizações e licenças correspondentes às próximas fases do processo.
A previsão apresentada pela Coamo continua sendo de iniciar as obras em 2027, com expectativa de entrada em operação por volta de 2030, dependendo do avanço das demais etapas ambientais e regulatórias.
Projeto já vinha avançando
O licenciamento ambiental do TUP Coamo vem sendo acompanhado há anos. Em 2025, o IMA publicou o edital de publicidade do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), abrindo prazo para manifestações da população.
Em dezembro daquele ano, uma audiência pública realizada em Itapoá apresentou o Estudo de Impacto Ambiental e revelou também preocupações de moradores e representantes locais relacionadas aos possíveis impactos sobre pesca, turismo, comércio e qualidade de vida.
Paralelamente ao processo ambiental, o empreendimento também avançou na esfera federal. Em julho de 2026, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) havia habilitado o projeto para uma nova etapa de análise.
Itapoá amplia sua vocação portuária
Se todas as etapas forem concluídas e o empreendimento sair do papel, Itapoá passará a contar com uma estrutura portuária de perfil diferente do atual terminal especializado em contêineres.
O novo TUP poderá transformar o município também em um importante corredor para granéis agrícolas e outras cargas estratégicas, conectando a produção do agronegócio ao transporte marítimo.
Para Itapoá, a chegada de um empreendimento dessa dimensão representa ainda a possibilidade de novos investimentos, empregos e movimentação econômica, ao mesmo tempo em que aumenta a necessidade de planejamento da infraestrutura urbana, logística e ambiental do município.
Com a Licença Ambiental Prévia concedida, o projeto da Coamo entra agora em uma nova fase.
O sinal verde ambiental foi dado para que o empreendimento avance — mas o caminho até o início das obras ainda passa pelas próximas etapas do licenciamento.







