O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, se manifestou publicamente contra a proposta de criação do Parque Nacional das Serras do Araçatuba–Quiriri, área localizada na divisa entre Santa Catarina e Paraná. O posicionamento reacendeu o debate sobre os impactos da medida em municípios diretamente envolvidos, como Joinville, Garuva e Campo Alegre.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o governador afirmou que, apesar do discurso ambiental, a criação da unidade de conservação pode gerar efeitos negativos para moradores e produtores rurais da região. Segundo ele, a proposta levanta preocupações relacionadas à desvalorização de imóveis, restrições ao uso da terra e insegurança jurídica para quem vive ou produz nessas áreas há décadas.
A área em estudo reúne campos de altitude, florestas de araucárias, nascentes e pontos turísticos conhecidos, como o Monte Crista e o Pico do Araçatuba, além de rotas históricas como o Caminho dos Ambrósios. O projeto prevê ampliar a proteção ambiental e fortalecer o turismo sustentável, com foco na preservação da biodiversidade e na segurança hídrica.
No entanto, críticos da proposta alertam que a transformação da região em parque nacional pode impor limitações severas a atividades econômicas já consolidadas, especialmente no meio rural. O governador destacou que decisões desse porte precisam considerar o impacto direto na vida das famílias que vivem na região e a autonomia dos municípios envolvidos.
O debate também ganhou força entre lideranças políticas do Norte catarinense. Parlamentares estaduais e representantes municipais têm manifestado preocupação com a possibilidade de sobreposição da nova unidade de conservação a áreas já protegidas, o que poderia ampliar restrições sem trazer ganhos proporcionais à gestão ambiental.
A Prefeitura de Joinville, por exemplo, argumenta que uma parcela significativa do território do município já está inserida na Área de Proteção Ambiental Serra Dona Francisca, modelo de conservação que permite o uso sustentável do solo e, segundo o município, concilia preservação ambiental com desenvolvimento urbano e econômico.
Do outro lado, defensores do parque avaliam que a criação da unidade é estratégica para a proteção de mananciais e para a conservação da Serra do Mar, considerada fundamental para o equilíbrio ambiental do Norte de Santa Catarina.
A proposta está em fase preliminar e vem sendo discutida pelo ICMBio, com apoio de parlamentares de Santa Catarina e do Paraná e do Ministério do Meio Ambiente. Até o momento, não há definição sobre prazos ou formato final do projeto.









