Empreendimento instalado na Baía da Babitonga opera com recebimento, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito
O Terminal Gás Sul (TGS), instalado na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul, no Norte de Santa Catarina, será arrendado pela Âmbar Energia, empresa do grupo J&F.
A operação recebeu aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta sexta-feira (28), abrindo caminho para a transferência da operação do terminal por meio de contrato de arrendamento.
O empreendimento pertence à New Fortress Energy (NFE) e foi desenvolvido para receber, armazenar e regaseificar Gás Natural Liquefeito (GNL).
O negócio não representa a venda do terminal. A propriedade permanece com a New Fortress Energy, enquanto a Âmbar passa a utilizar a estrutura por meio do contrato de arrendamento.
Como funciona o terminal
O TGS conta com uma unidade flutuante conhecida como FSRU — Floating Storage and Regasification Unit, embarcação equipada para armazenar o GNL e realizar sua transformação do estado líquido para o gasoso.
O GNL chega ao terminal transportado por navios. Depois de armazenado na unidade flutuante, o produto passa pelo processo de regaseificação.
O gás natural resultante é então enviado para a rede de transporte por meio de um sistema de gasodutos conectado ao Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol).
De acordo com o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), o empreendimento inclui a estrutura marítima, o sistema de gasodutos e a Estação de Transferência de Custódia localizada em Garuva. Licenciamento ambiental do TGS no IMA
Uma nova alternativa para o abastecimento de gás
A estrutura representa uma alternativa para a entrada de gás natural no mercado brasileiro, permitindo o recebimento de GNL importado por via marítima.
A localização na Baía da Babitonga permite que grandes navios transportadores de GNL entreguem o produto ao sistema de regaseificação.
Depois de transformado novamente em gás, o combustível pode ser direcionado à rede de transporte nacional.
O terminal ganhou ainda mais importância diante das necessidades de suprimento do mercado de gás natural e da expansão da geração termelétrica.
O papel da J&F
Com o arrendamento, a J&F amplia sua atuação no setor de energia e gás natural.
A Âmbar Energia atua no segmento de geração e comercialização de energia e faz parte do grupo J&F, que também possui negócios em diferentes setores da economia brasileira.
O acordo com a New Fortress Energy permite à empresa utilizar a infraestrutura existente do terminal sem adquirir o ativo.
Segundo informações divulgadas sobre a operação, o contrato prevê uma receita para a New Fortress Energy equivalente a aproximadamente US$ 50 milhões de EBITDA por ano até 2027.
Infraestrutura ultrapassa os limites de São Francisco do Sul
Embora o terminal marítimo esteja instalado em São Francisco do Sul, o sistema associado ao empreendimento se estende por outros municípios da região.
O gasoduto que transporta o gás regaseificado chega ao continente em Itapoá e segue por terra até Garuva, onde ocorre a conexão com o Gasbol.
A infraestrutura foi licenciada para funcionar de forma integrada, permitindo que o gás recebido na Baía da Babitonga seja incorporado ao sistema de transporte.
Um empreendimento estratégico para Santa Catarina
O Terminal Gás Sul entrou em operação em 2024 e passou a representar uma nova porta de entrada para o gás natural no Sul do Brasil.
A combinação entre a unidade flutuante de regaseificação, a estrutura marítima e a conexão com o sistema nacional de transporte permite que o empreendimento receba GNL importado e disponibilize o gás para consumidores conectados à rede.
Com o arrendamento pela J&F, o terminal volta ao centro das atenções do mercado energético brasileiro.
A mudança também reforça a importância estratégica da Baía da Babitonga como área de infraestrutura logística e energética para Santa Catarina e para o Sul do país.






