Desastre já deixou centenas de mortos e mais de 1,4 mil desaparecidos; um novo terremoto de magnitude 5,0 foi registrado nesta quinta-feira no norte do Tibete, mas não tem relação com as enchentes
Uma das maiores tragédias recentes do Himalaia ganhou uma nova explicação nesta quinta-feira (27). O que inicialmente chegou a ser associado a um terremoto foi reavaliado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que apontou que o sinal sísmico registrado na região foi provocado pelo colapso de uma enorme massa de gelo e rocha, seguido por um gigantesco fluxo de detritos.
O desastre atingiu áreas próximas à fronteira entre Nepal e Tibete, na China, provocando uma enxurrada de água, lama, gelo e pedras que avançou pelos vales e destruiu estradas, pontes, casas e outras estruturas.
Imagens de satélite analisadas por especialistas mostram mudanças dramáticas na paisagem após o deslizamento de gelo e rocha. A massa desceu em direção ao sistema do rio Lhende Khola e desencadeou as inundações que atingiram comunidades dos dois lados da fronteira.
Número de vítimas não para de aumentar
As equipes de emergência continuam procurando sobreviventes em uma região de difícil acesso.
Os números divulgados nesta quinta-feira ainda estavam sendo atualizados, mas autoridades do Nepal e da China já contabilizavam mais de 390 mortos e mais de 1.400 desaparecidos.
Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros que estavam na região por turismo, peregrinação ou trabalho. A destruição de estradas e pontes também dificulta a chegada das equipes de resgate.
Helicópteros e equipes de emergência foram mobilizados para alcançar comunidades isoladas.
Afinal, houve terremoto ou não?
A confusão começou porque instrumentos sísmicos registraram uma forte movimentação no momento do desastre.
Inicialmente, autoridades chegaram a considerar a possibilidade de um terremoto ter provocado o deslocamento da geleira.
A análise posterior do USGS, porém, apontou que a energia registrada pelos equipamentos foi gerada pelo próprio colapso glacial, envolvendo gelo e rochas, seguido pelo fluxo de detritos.
Ou seja: o terremoto não foi a causa da tragédia.
A descoberta muda significativamente a compreensão sobre o que aconteceu na região.
E um terremoto verdadeiro aconteceu hoje
A confusão ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira.
Um terremoto de magnitude 5,0 foi registrado no norte do Tibete, segundo dados divulgados pelo Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ).
Apesar de ter ocorrido no Tibete, o tremor aconteceu centenas de quilômetros ao norte da região atingida pelas enchentes e não há indicação de que os dois acontecimentos estejam relacionados.
São, portanto, dois fenômenos diferentes:
26 de agosto: colapso de gelo e rocha → fluxo de detritos → enchentes catastróficas na região Nepal-Tibete.
27 de agosto: terremoto real de magnitude 5,0 no norte do Tibete, distante da área atingida pelo desastre.
Um alerta para o futuro
Especialistas também chamam atenção para a crescente instabilidade das geleiras do Himalaia.
O aquecimento do planeta vem acelerando o derretimento das geleiras e pode contribuir para tornar algumas encostas e estruturas de gelo mais instáveis.
O próprio sistema do rio Lhende Khola já havia registrado uma inundação grave em período recente, mostrando que a região está cada vez mais vulnerável a eventos extremos relacionados ao gelo e à água.
E o perigo ainda não acabou
Outro motivo de preocupação é a formação de um lago na região afetada. Autoridades e especialistas temem que um eventual rompimento possa provocar uma nova onda de água e detritos em áreas localizadas abaixo.
Enquanto isso, as equipes de resgate continuam procurando desaparecidos em meio a uma paisagem completamente transformada pela força da água, do gelo e da lama.
Uma tragédia que começou com o colapso de uma geleira e que agora chama a atenção do mundo para os riscos crescentes de eventos extremos nas montanhas do Himalaia.






