Um levantamento realizado ao longo de janeiro apontou a morte de pelo menos 213 tartarugas marinhas no trecho entre a Lagoa do Peixe, em Mostardas, e o Chuí, na fronteira com o Uruguai. A área monitorada tem aproximadamente 360 quilômetros de extensão e é acompanhada por equipes da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema).
De acordo com os pesquisadores, a maior parte dos registros envolve tartarugas-cabeçudas, principalmente juvenis grandes e adultas, além de tartarugas-verdes juvenis. Também foram identificadas, em menor número, tartarugas-oliva e tartarugas-de-couro.
O levantamento incluiu ainda 111 aves marinhas e 71 mamíferos marinhos mortos, como golfinhos, pinguins e leões-marinhos.
Segundo a professora Silvina Bota, do Instituto de Oceanografia da Furg, o volume de ocorrências é elevado, mas não foge do padrão observado no verão. Nessa época do ano, há uma sobreposição entre áreas de alimentação das espécies e o aumento das atividades pesqueiras, o que favorece capturas acidentais. Muitas tartarugas acabam presas em redes e morrem por afogamento, já que precisam subir à superfície para respirar.
Nos meses mais quentes, a água próxima à costa também tende a ficar mais aquecida, atraindo diferentes espécies marinhas. Ao mesmo tempo, a pesca se intensifica no Litoral Sul, ampliando o risco de incidentes, especialmente em redes de malha. No caso das toninhas, pequenos golfinhos costeiros, os picos de mortalidade costumam ocorrer entre novembro e dezembro.
O monitoramento na região já era realizado pelo Nema e, desde 2025, passou a contar com parceria da Furg, o que ampliou a frequência das vistorias. Desde dezembro do ano passado, há acompanhamento diário no trecho entre a Praia do Cassino e o Farol do Sarita, em uma faixa de cerca de 65 quilômetros. Já o percurso completo entre a Lagoa do Peixe e o Chuí é vistoriado ao menos duas vezes por mês.
Como o modelo de monitoramento foi ampliado recentemente, ainda não há base equivalente de janeiro do ano anterior para comparação direta.
Fonte: GZH Zona Sul









