A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que apura a suposta coação de testemunha relacionada à morte do cão comunitário conhecido como Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis. Três homens, familiares de adolescentes investigados pela agressão ao animal, foram indiciados pelo crime.
A informação foi confirmada nesta terça-feira (27), durante coletiva de imprensa. Segundo a Polícia Civil, os indiciados são um advogado e dois empresários. As investigações apontam que a coação teria ocorrido nos dias 12 e 13 de janeiro, com o objetivo de impedir o compartilhamento de informações com as autoridades.
De acordo com os depoimentos colhidos, um porteiro de condomínio teria sido ameaçado após registrar imagens dos adolescentes que estariam envolvidos na agressão ao cão. A polícia informou que, durante a abordagem, houve indícios de intimidação, incluindo a suspeita de que um dos adultos estivesse portando uma arma, hipótese que não foi confirmada após diligências.
A Polícia Civil chegou a cumprir mandados de busca nas residências dos investigados, mas nenhuma arma de fogo foi localizada. Ainda assim, o conjunto de provas reunidas foi considerado suficiente para o indiciamento pelo crime de coação no curso do processo.
Após o episódio, o porteiro envolvido foi afastado de suas funções, recebendo férias compulsórias por decisão da administração do condomínio.
Caso ganhou repercussão nacional
O caso da morte do cão Orelha gerou grande comoção e repercussão em todo o país. O animal vivia há quase dez anos na Praia Brava e era cuidado por moradores, pescadores e comerciantes da região.
Segundo a Polícia Civil, o cão foi encontrado com ferimentos graves em diferentes partes do corpo, compatíveis com agressões. Devido à gravidade das lesões, Orelha precisou ser sacrificado. A investigação aponta que o animal teria sido agredido a pauladas por adolescentes.
Na semana passada, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados ao caso. Os adolescentes suspeitos de envolvimento ainda não foram apreendidos. Conforme informado pelas autoridades, dois deles estão em viagem ao exterior e devem retornar nos próximos dias. A polícia afirma que a viagem já estava programada antes da repercussão do caso.
As investigações seguem em andamento, tanto em relação ao crime de maus-tratos quanto aos desdobramentos envolvendo a possível tentativa de interferência nas apurações.









