A maior obra de alargamento de praia em andamento no Brasil segue avançando em ritmo acelerado em Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina. Iniciada em outubro de 2025, a intervenção já ultrapassou a marca de 58% de execução e pode ser concluída antes do prazo inicialmente previsto, que era o segundo semestre de 2026.
O projeto integra duas frentes de trabalho diretamente conectadas: a dragagem de aprofundamento da Baía da Babitonga, que melhora as condições de navegação, e o alargamento da faixa de areia ao longo da orla do município. Juntas, essas ações abrem caminho para a atracação de navios de até 366 metros de comprimento e, ao mesmo tempo, ampliam e protegem as praias da cidade.
Orla mais larga e proteção costeira
Ao todo, o projeto prevê o alargamento de 8,8 quilômetros de praias, impactando diretamente trechos como Figueira do Pontal, Pontal do Norte e Princesa do Mar. Até agora, cerca de 5 quilômetros de faixa de areia já foram ampliados, com a deposição de aproximadamente 3,4 milhões de metros cúbicos de sedimentos. A expectativa é alcançar um volume final de 6,4 milhões de metros cúbicos, número superior ao de outros projetos semelhantes realizados no país.
A operação ocorre 24 horas por dia. Uma draga de grande porte retira areia do fundo da Baía da Babitonga, a cerca de 16 metros de profundidade, transportando o material até a orla, onde ele é bombeado, espalhado e nivelado por equipes técnicas em terra. Todo o processo é acompanhado por medições constantes, que garantem a segurança ambiental, a compatibilidade do sedimento com a areia local e o alinhamento da nova praia.
Além de ampliar os espaços de lazer, o alargamento reforça a proteção da linha costeira, reduzindo os efeitos da erosão marítima e criando uma barreira natural contra ressacas e avanço do mar, um ponto sensível para uma cidade que já enfrentou episódios de desgaste da orla.
Porto mais produtivo e economia em movimento
A dragagem também tem impacto direto na atividade portuária. Com o aprofundamento do canal de acesso, o Porto de Itapoá e o Porto de São Francisco do Sul passam a operar com maior eficiência, permitindo a entrada de navios maiores e mais carregados. A expectativa é de um aumento de até 40% no volume de cargas movimentadas.
Esse crescimento traz reflexos diretos para a economia local e regional. O aumento da operação portuária exige mais equipamentos, mais turnos e, principalmente, mais trabalhadores. Cada conjunto de equipamentos utilizados na movimentação de contêineres envolve dezenas de profissionais, desde operadores até equipes de apoio, o que tende a ampliar as oportunidades de emprego e renda.
Recentemente, o Porto de Itapoá recebeu um novo equipamento de grande porte, que deve elevar em cerca de 20% a capacidade do cais, reforçando a estrutura para atender à nova demanda.
Integração entre porto, cidade e qualidade de vida
Um dos diferenciais do projeto está justamente na integração entre infraestrutura portuária e uso urbano. Ao mesmo tempo em que a dragagem melhora a navegação e a logística, o reaproveitamento do sedimento transforma a orla, criando praias mais largas, seguras e atrativas para moradores e turistas.
A ampliação da faixa de areia abre espaço para atividades esportivas, lazer em família, eventos ao ar livre e valorização do turismo. A nova configuração da orla também contribui para a requalificação urbana e para a valorização imobiliária, fortalecendo o vínculo entre porto e cidade.
Após a conclusão do engordamento, está prevista uma fase contínua de monitoramento, com acompanhamento do comportamento da areia ao longo das estações do ano, ajustes de manutenção e avaliação do desempenho da obra a médio e longo prazo. Esses dados devem servir de referência para futuros projetos de requalificação costeira em Santa Catarina e em outras regiões do país.











