Mostra inédita reúne obras e referências da artista conhecida como “Rainha do Papel de Bala” e terá programação voltada às escolas da rede pública
Itapoá recebe, a partir de 2 de outubro, uma exposição dedicada à trajetória de Efigênia Rolim, artista reconhecida nacionalmente por transformar materiais descartados em esculturas, personagens, vestimentas e instalações. A mostra “Efigênia Rolim: entre o mar e a mata” inaugura o ADEArte, projeto da Associação de Defesa e Educação Ambiental (ADEA) que aproxima arte, educação e sustentabilidade.
A exposição permanecerá aberta até 20 de dezembro, na sede da ADEA, no bairro Maresias, com entrada gratuita. A abertura está prevista para o dia 2, às 17h. A visitação ocorrerá às sextas-feiras, sábados e domingos, das 17h às 20h.
Mais do que apresentar obras, a exposição recupera uma parte importante da história da artista: o período em que Efigênia Rolim viveu em Itapoá.
Uma história construída entre o mar e a mata
Efigênia chegou a Itapoá em setembro de 2018 e permaneceu no município por pouco mais de três anos. Durante esse período, a convivência com a natureza, o mar, os animais, a mata e os materiais encontrados pelo caminho passou a fazer parte de seu universo criativo.
A relação com o território aparece agora como um dos principais elementos da exposição. A proposta é mostrar como a paisagem e o cotidiano de Itapoá influenciaram o olhar da artista e contribuíram para sua produção.
“Entre o mar e a mata” também convida o visitante a observar novamente objetos e elementos que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia.
“Encontramos na trajetória de Efigênia Rolim muito do que o ADEArte quer provocar: criatividade, sustentabilidade, cuidado e pertencimento”, destaca Vinicius Patrial, coordenador do projeto.
Do papel de bala para uma trajetória nacional
Conhecida como “Rainha do Papel de Bala”, Efigênia Rolim iniciou sua trajetória artística aos 60 anos, depois de encontrar um pequeno papel brilhante de bala de hortelã na Rua XV de Novembro, em Curitiba.
O que poderia simplesmente ser recolhido como lixo despertou na artista outra percepção. A partir dali, materiais destinados ao descarte passaram a ganhar novas formas e significados.
Papéis, embalagens, plásticos e outros resíduos foram transformados em personagens, roupas, objetos e esculturas, em uma produção que uniu criatividade, memória e reflexão sobre o consumo e a relação da sociedade com o meio ambiente.
Ao longo de mais de três décadas de produção, Efigênia construiu uma linguagem própria e conquistou espaço no cenário artístico brasileiro.
Obras da artista fazem parte do acervo do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Em setembro deste ano, o museu inaugurou “Efigênia Rolim: A Poética do Resíduo”, sua primeira mostra-homenagem dedicada a um artista de seu acervo. A exposição reúne esculturas da coleção permanente e permanece em cartaz até março de 2027.
Arte também chega às escolas
Um dos diferenciais da exposição em Itapoá será a programação educativa.
Durante o período da mostra, aproximadamente 70 turmas da rede pública de ensino do município deverão participar de visitas e atividades relacionadas à produção da artista. Também estão previstas oficinas com as filhas de Efigênia.
A proposta é utilizar a arte como ponto de partida para conversar com crianças e jovens sobre criatividade, consumo, descarte, reaproveitamento de materiais, meio ambiente e diferentes maneiras de observar o cotidiano.
A iniciativa faz parte da própria concepção do ADEArte, que pretende transformar a exposição não apenas em um espaço de contemplação, mas também em um ambiente de encontro, descoberta e aprendizagem.

“Arte nos convida a olhar o mundo com mais criatividade, sensibilidade e cuidado. E é esse olhar que queremos despertar nos alunos e no público em geral”, afirma Carolina Guedes da Silva, diretora de produção do ADEArte.
ADEArte nasce com foco em arte e meio ambiente
A exposição de Efigênia Rolim marca a primeira edição do ADEArte, projeto permanente da ADEA voltado à aproximação entre arte, educação e sustentabilidade.
Segundo a proposta, o programa pretende aproximar artistas, estudantes, educadores e comunidade por meio de exposições e experiências educativas, além de estimular novas formas de perceber o território e a relação das pessoas com o meio ambiente.
O projeto já havia sido apresentado pela ADEA como uma iniciativa para democratizar o acesso à arte em Itapoá e aproximar a comunidade do universo artístico, especialmente por meio de atividades com estudantes e educadores.
A escolha de Efigênia para inaugurar o programa estabelece uma ligação direta entre arte, reaproveitamento e natureza — e, principalmente, com a própria história de Itapoá, cidade onde a artista viveu e encontrou inspiração para parte de sua trajetória.
SERVIÇO
Exposição: Efigênia Rolim: entre o mar e a mata
Abertura: 2 de outubro, às 17h
Período: 2 de outubro a 20 de dezembro
Visitação: sextas, sábados e domingos, das 17h às 20h
Local: sede da ADEA – Avenida Brasil, 631, bairro Maresias, Itapoá
Entrada: gratuita.







