A temporada da tainha em Santa Catarina começa neste ano sob um novo cenário: mais peixe liberado para captura e um discurso de maior equilíbrio entre preservação e atividade econômica. Depois de anos de restrições e disputas entre governos e pescadores, o limite total foi ampliado e reacende a expectativa de uma safra mais favorável.
Novo limite reacende expectativa no setor
Para 2026, o volume autorizado de captura chega a 5.216 toneladas, um aumento de cerca de 20% em relação ao ano anterior. A ampliação ocorre após um período marcado por cortes severos, inclusive com suspensão total de algumas modalidades nos últimos anos.
A divisão das cotas mantém diferentes formas de pesca, com destaque para o emalhe costeiro, que concentra a maior parte do volume liberado. Já modalidades tradicionais, como o arrasto de praia, seguem com limites específicos e operação mais restrita ao litoral catarinense.
Decisão envolve técnica e negociação política
O aumento não veio apenas de pressão do setor. A definição passou por um grupo de trabalho com participação de diferentes estados do Sul e Sudeste, além de órgãos federais e representantes da pesca.
Segundo o Ministério da Pesca, os critérios consideraram dados sobre reprodução da espécie, de captura ao longo dos anos e a necessidade de manter o estoque saudável. A ideia é evitar os erros do passado, quando a exploração excessiva impactou diretamente a população de tainhas.
Histórico de restrições ainda pesa
A política de cotas começou a ser adotada em 2018 como resposta à queda no número de peixes. Em anos mais recentes, medidas mais duras chegaram a limitar drasticamente a atividade, gerando forte reação entre pescadores e governos estaduais.
Santa Catarina, inclusive, protagonizou embates frequentes com o governo federal, questionando os critérios adotados e buscando ampliar o limite de captura. Neste ano, apesar do aumento, o discurso oficial é de cautela e acompanhamento contínuo da safra.
Pescadores seguem divididos
No litoral, a ampliação é vista com esperança, mas também com ressalvas. Parte dos pescadores considera que o aumento ainda é insuficiente, principalmente para determinadas modalidades.
Há também críticas ao próprio modelo de cotas, especialmente no caso da pesca artesanal, onde a quantidade de peixe capturada depende de fatores naturais difíceis de prever, como clima, corrente marítima e comportamento dos cardumes.
Tradição, economia e sobrevivência
Mais do que números, a safra da tainha carrega um peso cultural importante em Santa Catarina. A atividade é reconhecida como patrimônio imaterial e movimenta comunidades inteiras ao longo do litoral.
Todos os anos, o início da temporada mobiliza famílias, pescadores e curiosos nas praias, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.
Sinais positivos antes do início
Antes mesmo da abertura oficial, relatos de cardumes em regiões do Sul do Brasil já indicavam um cenário animador. Para muitos pescadores, esse é um indicativo de que a temporada pode ser produtiva.
Ainda assim, especialistas reforçam que o desempenho da safra depende de uma combinação de fatores, e que o acompanhamento ao longo dos próximos meses será essencial para avaliar se o aumento das cotas foi adequado.







